Estamos vivendo coletivamente numa época em que somos expostos a sobressaltos contínuos, e quando o fluir da respiração acaba de ser recobrado, somos expostos a mais um susto, e assim sucessivamente. 


Os nomes da comoção


Mortes em números crescentes causadas pela pandemia; suicídio político; infecção pelo COVID que acomete a parentes e conhecidos; demissões nossas ou de pessoas que conhecemos; restrição: do espaço, do ir e vir, de festas, reuniões pessoais, e cultos que não podem acontecer; injustiças; ter que trabalhar para sobreviver; não poder trabalhar para sobreviver; instabilidade econômica; impossibilidade de previsão do resultado social disso tudo; Negacionismo; Necropolítica; Eugenia; impossibilidade de velar nossos mortos; informações oficiais contraditórias; espetáculos montados por assessores de imprensa onde se encena autoritarismo televisionado; pessoas que transformam tristeza em raiva e atacam quem está mais próximo; a acentuação da desigualdade social: são alguns dos nomes que podemos dar ao que têm nos acometido atualmente.


A arte e a criatividade como antídoto


A oratória dos que generosamente fazem as Lives acontecerem, os músicos que insistem em criar para que o nosso coração insista em querer continuar batendo, os modos surpreendentes como inventamos maneiras de continuar nos amando à distância: o Desejo nos salva.