Freud foi um gênio raro
Em 1921, em “Mais além do Princípio do Prazer” Freud antecipara a Neurologia que conhecemos hoje sem a tecnologia que nos é disponível, e em 1900 antecipara a Linguística, que ainda não existia, destacando a importância das palavras já nos “Estudos sobre os sonhos”.
Para Walter Benjamin, Freud estabelece uma correlação entre memória (no sentido de Memória Involuntária de Proust), e o consciente. Nas palavras de Freud: “O consciente surge em lugar de uma Impressão Mnemônica”. Impressão Mnemônica é uma espécie de feixe formado por neurônios que ligam palavras à imagens acústicas, ou imagens visuais, e que funcionam como espécie de ponte entre interior e exterior. “Resíduos Mnemônicos são frequentemente mais intensos e duradouros, se o processo que os imprime jamais chega ao consciente.”. Daí a necessidade de tornar conscientes conteúdos inconscientes através do endereçamento da fala do paciente ao analista.
Para Freud: “A função de acumular traços permanentes como fundamento da memória está reservada a sistemas que são diversos da consciência” - O consciente não registra nenhum Traço Mnemônico, porque o consciente teria a função de agir como proteção contra estímulos. A teoria psicanalítica procura entender a natureza do choque traumático a partir do rompimento da proteção contra o estímulo.
Esta investigação de Freud foi produzida a partir dos sonhos típicos dos neuróticos traumáticos: sonho que reproduz a catástrofe que os atingiu. Sonhos dessa natureza procuram recuperar o domínio sobre o estímulo, desenvolvendo a angústia cuja omissão se tornou a causa da neurose traumática.
Em outras palavras: o sonho monta uma repetição de uma cena traumática para que, desta vez, o sonhador possa se antecipar à conclusão da cena, através da angústia, e não ser pego de surpresa, como foi na realidade diante do fato traumático.
Sonhemos, pois.