O que convencionou-se chamar de Defcit de Atenção, ou Hiperatividade, é, na verdade (inconveniente ao Capitalismo), uma proteção contra o excesso de estímulos que se oferecem no cotidiano a quem interage excessivamente com o mundo virtual. A função da comunicação foi pervertida pela interatividade virtual.

Em "A ordem simbólica da mãe”, da filósofa italiana Luisa Muraro, ela fala sobre a mãe distinta da função materna tradicional, a mãe na sua dimensão sinestésica: "Estou falando do corpo que fala, estou falando da voz. Pode ser a voz do tio, da avó, ou de um amigo. A voz de um ser humano é a única forma de garantir de maneira afetiva a consistência semântica do mundo. A rarefação da voz transforma a interpretação num ato puramente econômico, funcional e combinatório.” 

Franco ‘Bifo’ Berardi critica a superexcitação do sistema perceptivo pelas multitarefas: 

“(...) A comunicação alfabética possui um ritmo que permite ao cérebro uma recepção lenta, sequencial, reversível. São estas as condições da crítica, que a modernidade considera condição essencial da democracia e da racionalidade. Porém, o que significa “crítica”? No sentido etimológico, crítica é a capacidade de distinguir, particularmente, de diferenciar entre a verdade e a falsidade das afirmações. Quando o ritmo da afirmação é acelerado, a possibilidade de interpretação crítica das afirmações reduz-se a um ponto de aniquilamento. 

McLuhan escreveu que quando a simultaneidade substitui a sequencialidade - ou seja, quando a afirmação se acelera sem limites - a mente perde sua capacidade de discriminação crítica, passando daquela condição a uma neomitológica.”.