Há no humano uma plasticidade. Principalmente no que se refere à possibilidade de abstração. A adoção da postura ereta modificou o corpo humano, deslocando a primazia do olfato para a visão. Não procuramos mais a reprodução da espécie com o uso do olfato como faziam os nossos antepassados. Estamos longe disso: desejamos alguém, por exemplo, por algo que vemos nesta pessoa, não necessariamente para procriar. Se houver uma afirmação neste sentido, é meramente produtora de uma ideologia político-religiosa, e Negacionista.

A nova postura possibilitou ao homem o comportamento cultural ao modificar o instinto olfativo, extinguindo o Cio feminino, encurtando a 

gestação a ponto do bebê humano nascer prematuro (gênese do apego), e modificando para sempre o comportamento sexual, que não se restringe à mera reprodução, pelo contrário, 

trata-se de um comportamento social importante. 

Nos “Três ensaios sobre a teoria da sexualidade”, Freud nos conscientiza de que a 

sexualidade humana não se restringe à atividade sexual, mas se generaliza a todos os 

campos da existência humana, se Canaliza, se Sublima, se localiza em outros órgãos que não somente os sexuais. A cultura libertou os órgãos sexuais da função procriativa. 

A postura ereta também alongou o corpo, possibilitando a pintura rupestre, gênese do 

simbólico; o alongamento do pescoço modificou a anatomia, transformando o sistema fonador, o que possibilita o comportamento verbal, a fala, e a cultura.

Em “A fábrica da infelicidade” de Franco ‘Bifo’ Berardi, ele afirma que, a superexposição 

à internet futuramente pode gerar uma nova Evolução: 

“É preciso abandonar o preconceito segundo o qual o Homo Sapiens representa o ponto de chegada último e máximo da Evolução...”. 

Segundo o autor, este preconceito atrapalha na compreensão das mutações que levam ao que ele chama de Organismo Bioconsciente. 

O autor, tal qual Achille Mbembe, filósofo africano autor da Necropolítica (conceito que faz 

referência à Biopolítica de Foucault), afirma que estamos chegando ao final da era humanista, e a principal causa disso seria o Neoliberalismo.