Era da Positividade

“O homem contemporâneo vive tão completamente imerso na temporalidade urgente dos relógios de máxima precisão, no tempo contado em décimos de segundo, que já não é possível conceber outras formas de estar no mundo que não sejam as da velocidade e da pressa.” Maria Rita Kehl - “O tempo e o cão. Um giro dialético nessa questão é apresentado por Byung-Chul Han em “Sociedade do cansaço”, muito embora ele faça uma crítica equivocada à Psicanálise, pois parece desconhecer o estudo de Lacan acerca dos Quatro Discursos (Seminário XVII), mais precisamente, do Discurso do Capitalista. Para o filósofo coreano, as Ciências Humanas do Século XIX foram influenciadas pelo Espírito dos Tempos relativo às questões que ele chama de Positivas (ele escreveu "Sociedade do Cansaço" antes do COVID19: a humanidade era ameaçada por vírus e bactérias que ainda não haviam sido devidamente controlados, colocando esta preocupação como principal na ciência daquela época. Acontece que a matriz terminológica Positiva, se espraiou em direção às outras ciências, desde a Arquitetura à Filosofia, a exemplo do Panóptico, estrutura tão analisada por Foucault, onde os indivíduos podem se ver ou vigiar mutuamente de qualquer lugar da estrutura arquitetônica. Positivo é, para Byung-Chul Han, algo que vem de fora para dentro. Acometimentos contemporâneos como o Burnout seriam desencadeados por questões Negativas: não é mais um vírus, uma bactéria, ou um olhar, que se inocula no indivíduo na Sociedade Neoliberal, mas um imperativo, vivido como massacrante, 

relativo à performance social. Para o filósofo, a cobrança não vem de fora, mas do próprio indivíduo, que posta incessantemente nas Redes Sociais, mais para si do que para os outros, tudo para garantir diante de si mesmo uma imagem que corresponda a sua melhor performance, uma imagem do seu ideal.