Na Revista do SESC de Julho de 2019, há um texto de Christoph Wulf, historiador cultural, em que ele fala sobre a sabedoria num mundo que prima pelo conhecimento. A sabedoria é desvalorizada porque não é rentável, e requer outra forma de lidar com o tempo, que não a da cronocracia, isto é, o domínio do tempo. A desaceleração do cotidiano sem um objetivo específico seria, para ele, a maneira de interagirmos com os outros, com as coisas, ou consigo mesmo. Para ele, a consciência da finitude é importante para esta contemplação da vida, em paralelo com a exigência de aceleração imposta pelo capitalismo global, em que a aceleração do tempo torna-se um meio de exploração abusiva dos recursos humanos. Para o autor, o tempo “otimizado” é um instrumento de dominação. Os acontecimentos não são classificados por importância ou valor, mas por uma sucessão produtiva que empobrece a existência.