Desejamos o desejo do outro.
Mas o que o homem contemporâneo tem feito do tecido de sua existência? Em “Shakespeare: teatro da inveja” do filósofo Rene Girard, encontramos a noção de Desejo
Mimético: que muito resumidamente tem a ver com uma rivalidade que funciona como lastro de um desejo. Algo como: eu te amo porque: você a ama, e eu a amo inconscientemente. A
publicidade sempre foi pautada pelo Desejo Mimético: compra-se a bolsa que a modelo usa na propaganda, mas o que está subjacente, é o desejo que a modelo causa no consumidor.
Nas Redes Sociais o Desejo Mimético causa o desejo das pessoas pelos produtos que as
outras curtem, e fazem as pessoas trabalharem voluntariamente, embora inconscientemente, e de maneira não remunerada, para o Facebook, a cada simples “curtida” ou demonstração de “interesse” por algum evento, pois o rastro de seu desejo fica registrado, e outras pessoas o vêem posteriormente. É uma sofisticação da Mais Valia marxista: agora além do trabalho ser expropriado e alienado, ele não é remunerado, e faz girar a engrenagem da alienação, além de gerar alguns milhões de Dólares em anúncios.