É comum escutarmos: "fulano é narcisista". Mas, a despeito de termos psiquiátricos ou psicanalíticos que são usados pelo senso comum como adjetivos, o Narcisismo tem sua origem na Mitologia Grega: Narciso apaixonara-se pela sua própria imagem projetada num lago, onde afogou-se tragicamente ao tentar fazê-la consistir. 

Freud, inspirado pelo Mito de Narciso, escreveu sobre duas fases inerentes ao Desenvolvimento Humano: o Narcisismo Primário, e Narcisismo Secundário. No Narcisismo Primário, do ponto de vista do bebê, ele é parte do corpo de sua mãe, há uma percepção simbiótica da realidade, o bebê encontra-se como Eu Ideal. 

A passagem para Narcisismo Secundário dá-se a partir da entrada de um Terceiro naquela relação que era Simbiótica, a percepção do Desejo da mãe por algo ou alguém para além do bebê, o lança no Ideal de Eu, fase em que o bebê, normalmente, se insere na linguagem para tornar-se como aquele que interferiu na relação dual. 

Para a Psiquiatria, o Narcisismo é uma Patologia: um ser que usa outras pessoas para alcançar o que deseja, e não se envolve emocionalmente, senão, para manipular e conseguir o que quer.

Na Sociologia encontramos no final da década de 70, Debord descrevendo a Sociedade do Espetáculo, e Christofer Lasch, a Cultura do Narcisismo: ambos autores descrevendo um funcionamento individualista que enfraquece as mudanças sociais em termos humanistas. Eles se referem ao Indivíduo Narcisista, personagem típica do "Self Made Man", produto da Ideologia do Sonho Americano. Nos anos 2000 temos um autor bastante difundido, o filósofo coreano Byung Chul Han, que escreve sobre a Sociedade do Cansaço: uma espécie de Burnout generalizado pela internalização de valores individualistas. Muitos outros autores, como filósofo africano A. Mbembe, e o sociólogo italiano Franco Bifo Berard, também têm escrito livros pensando as consequências do Neoliberalismo para o Mal-estar contemporâneo.