“Um mundo em que a técnica ocupa uma posição tão decisiva como atualmente, gera pessoas tecnológicas, afinadas com a técnica. (...) na relação atual com a técnica existe algo de exagerado, irracional, patogênico. Isto se vincula ao "véu tecnológico". Os homens 

inclinam-se a considerar a técnica como sendo algo em si mesma, um fim em si mesmo, uma força própria, esquecendo que ela é a extensão do braço dos homens. Os meios - e a técnica é um conceito de meios dirigidos à autoconservação da espécie humana - são fetichizados, porque os fins - uma vida humana digna - encontram-se encobertos e desconectados da consciência das pessoas. (...) Não se sabe com certeza como se verifica a fetichização da técnica na psicologia individual dos indivíduos, onde está o ponto de transição entre uma relação racional com ela e aquela supervalorização, que leva, em última análise, quem projeta um sistema ferroviário para conduzir as vítimas a Auschwitz com maior rapidez e fluência, a esquecer o que acontece com elas em Auschwitz. No caso do tipo com tendências à fetichização da técnica, trata-se simplesmente de pessoas incapazes de amar. 

Isto não deve ser entendido num sentido sentimental ou moralizante, mas denotando a 

carente relação libidinal com outras pessoas. Elas são inteiramente frias e precisam negar também em seu íntimo a possibilidade do amor, recusando de antemão nas outras pessoas o seu amor antes que o mesmo se instale...” Adorno - Educação após Auschwitz.

Certa vez, o Instagram tornou oculto o número de interações com as publicações. É claro que há de se suspeitar que isso seja uma estratégia publicitária, num mundo em que os consumidores contemporâneos redimem sua culpa por estarem ajudando a destruir o planeta, demandando: remissão de CO2, sustentabilidade, ecologia, veganismo que consome monocultura de soja, e responsabilidade social. Mas o que 

está assumidamente implícito, é que há um impacto emocional envolvido na quantidade de 

interações que uma postagem numa Rede Social pode gerar. Provavelmente o Instagram 

pensou numa ação que o diferenciasse, uma argumentação uma argumentação do tipo: “Nós temos responsabilidade social”.