Luto ou Melancolia?
Para Freud, pode existir Luto pela perda amorosa, assim como pela perda de alguém que faleceu. Mas Luto e Melancolia são processos diferentes.
Encontramos uma diferenciação bem resumida, não em “Luto e Melancolia”, livro em que Freud aprofundou a questão do Luto, mas em “Psicologia de Massas e Análise do Eu”.
Segundo Freud, há uma tendência que se acentua na Melancolia, mas que também está presente no Luto, em menor grau: “A introjeção, no Ego, do objeto perdido, como sucedâneo deste...”.
É uma tentativa de lidar com a ausência: reter um traço do que foi perdido.
O problema é a cisão que ela provoca no Ego: uma parte de si luta internamente com o objeto internalizado, e disso resultam os sentimentos de culpa e autodepreciação que percebemos no discurso do melancólico: “Mostram-nos o Ego dividido, separado em duas partes, uma das quais vocifera contra a segunda. Esta segunda é a parte que foi alterada pela introjeção, e contem o objeto perdido.”.
A parte que vocifera é regida pelo Ideal do Ego - herdeiro do narcisismo - em que o Ego infantil desfrutava de auto-suficiência.
Freud demonstra que, apesar de ser uma parte diferente do Ego, contida no Ego, podemos encontrar alguns adultos em que: “essa diferenciação dentro do Ego não vai além da que sucede em crianças.”. Pessoas insatisfeitas com o próprio Ego tendem a se refugiar da realidade no Ideal do Ego para sentirem-se superiores às outras.
Para Freud, Ego (Eu) é uma instância psíquica que se diferencia de Superego, e do Id, por ser consciente. Freud, na Segunda Tópica, instituiu estas instâncias, explicando que a parte de nossa mente que nos é consciente não equivale ao todo. Somos excêntricos como uma elípse que tem dois centros, e não como um círculo. Por isso, desejar não é querer.